Construções em Locais de Alta Umidade

Quando nos formamos em engenharia ou arquitetura, quase nunca nos imaginamos prestando serviços de vistoria em construções – na verdade, nosso ego sempre insiste em nos encaminhar para projetos de construção grandiosos, casas monumentais e com liberdade para o uso de materiais e técnicas inovadores e liberdade de orçamento… esses sonhos dourados de todo estudante recém-formado. Mas muitas vezes, inclusive por características do próprio mercado de trabalho, acabamos indo parar em empresas de consultoria e vistoria, ou na Defesa Civil. Fui parar numa dessas empresas, meio a contragosto, mas fui.

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Certa vez, fomos chamados para verificar a estabilidade (ou instabilidade) de um bar localizado num ponto turístico da serra da Canastra. Ele foi construído próximo a uma queda d’água e algumas paredes estavam apresentando rachaduras que aumentavam constantemente. A suspeita era de que a umidade do terreno estava fazendo com que a construção desnivelasse (já que não havia fundação, apenas uma “sapata” de concreto por debaixo do imóvel) por causa do peso. Pranchetas, protocolos e trenas laser nas mãos, partimos para o local, sem imaginar que a salvação daquele imóvel dependeria, simplesmente, da instalação de janelas e portas-balcão de alumínio.

Era a madeira

Logo que chegamos, já era possível visualizar uma grande rachadura na parede frontal, indo de um ponto da janela até quase a cumeeira. Não era muito larga, mas a camada de tinta ficou bem danificada e por isso dava pra ver de longe. Tiramos as medidas, como de costume, e ficamos sabendo, pelo proprietário, que ela havia surgido há dois meses, as era menor – mas apresentou crescimento significativo no último mês.

Uma coisa que observamos é que em quase todas as janelas havia rachaduras próximas, assim como na porta que dava para um varandão externo voltado para a queda d’água. Tiramos todas as medidas e, por protocolo, verificamos também o nivelamento do piso – que, para nossa surpresa, estava perfeito. Ou seja, o problema não era o peso da construção sobre a sapata de concreto. O terreno não estava cedendo. E um colega fez a observação: “é a madeira”.

Todas as portas e janelas eram de madeira, para emprestar ao ambiente um ar mais rústico, já que se tratava de zona rural. Mas aparentemente ela não foi cortada no período certo, nem tratada adequadamente, e a alta umidade do lugar a estava fazendo inchar. Foi fácil perceber que, à exceção de uma porta interna e uma janela, todas as demais apresentavam desalinhamento repentino e dificuldade para abrir e fechar, como se as folhas estivessem maiores do que os batentes. O inchaço forçava a madeira contra as paredes, e isso estava provocando as rachaduras.

Alumínio nelas!

A solução encontrada era óbvia: substituir todas as portas e janelas por outras de alumínio, material que não se modifica com a umidade. O proprietário manifestou um receio de prejudicar o aspecto rústico do ambiente ao fazer a substituição mas, para nossa sorte, um de nós já havia trabalhado em loja e esquadrias de alumínio, e deu várias sugestões. Uma delas foi instalar portas-balcão de alumínio de grandes dimensões na frente e na porta que dava acesso ao varandão; assim, a luminosidade aumentaria e a visibilidade das áreas externas aumentaria – como o lugar tinha muito verde, e ainda o espetáculo da queda d’água, essa portas permitiriam que os visitantes curtissem o visual mesmo de dentro do bar (o que é ótimo em dias de chuva).

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Para as janelas, opções também em alumínio resolveriam o problema. O proprietário poderia optar por modelos com ou sem folha de alumínio, e com ou sem grades de proteção – mas para não prejudicar o visual, optou pelo modelo só com folhas de vidro e sem grades; o terreno já era bastante seguro.

Se tivéssemos feito um bolão, só esse colega especialista em alumínio teria ganhado, porque todos (inclusive eu) achamos que o problema era o terreno. Que bom que não era! A solução teria saído bem mais cara.